quinta-feira, 26 de abril de 2012





Des-Aprender

Aprender é um verbo que quase termina junto com a vida.
A gente aprende desde que nasce. Quando anoitece, a gente des-aprende. E como dói para quem desaprende e para quem, nesses momentos,  tenta ensinar.
É quase um exercício inútil querer ensinar a quem já não está mais tão presente. 
A gente aprende, desde que nasce, muitas coisas: a rir e a chorar; a aparecer e a se esconder; a partir e a voltar; a amar e a odiar.
A gente aprende que não se deve depender dos outros; que cada um deve construir sua história e que essa história deve ser perfeita, com um belo início, um meio confortante e um fim leve, feliz.
A gente aprende a não xingar; a não desrespeitar os mais velhos;  a amar a natureza, em sua plenitude; a não se deixar iludir por aquilo que somente parece ser real; a falar sempre a verdade e a se desculpar, por erros ou pequenas bobagens cometidas.
A gente aprende que pai e mãe são as pessoas mais importantes de nossas vidas;  que nossos irmãos são o elo mais forte que temos com nosso semelhante; que nossos avós são muito mais que avós, porque, apesar de já terem vivido e trabalhado o suficiente, ainda assim, fazem pelos netos aquilo que os pais não podem ou não querem  fazer.
A gente aprende que não deve transar antes da hora;  que sexo seguro é com preservativo; que doenças como a AIDS não ocorrem só com o nosso vizinho; aprende toda a importância da higiene, em relação a nós e aos outros.
A gente aprende que a morte existe e sofre muito quando ela chega;  que mentir é  feio; que "pular a cerca", numa relação, é quase um "crime hediondo"; que iludir as pessoas é , no mínimo, cruel.
A gente aprende a andar de bicicleta; a dirigir automóvel; a voar de asa delta e a andar por caminhos, que nem sempre são os mais seguros.
A gente aprende que a beleza não é muito importante;  que não se deve julgar ninguém pelas aparências, embora as aparências, muitas vezes,  enganem.
A gente aprende a fazer dietas;  a consumir menos; a não poluir o Planeta; a não desperdiçar água, porque é um recurso finito e muitos sequer têm uma gota para prová-la. Aprende também que a água empoçada pode nos roubar a vida.
A gente aprende que é preciso compartilhar;  que  existem pessoas nas ruas, vivendo de forma degradante,  na mais rude miséria; que há pivetes em qualquer esquina e que dirigir em alta velocidade é um grave risco, com ou sem bebida.
A gente aprende a nossa língua e outras também; aprende                     a conviver harmoniosamente  com todos os povos e com as diferenças;  que cada um tem suas crenças e cultura;   que Deus é único e soberano; que o pecado existe e ele pode ser até mortal;  que devemos dizer bom dia, boa  tarde, boa noite e muito obrigado.
A gente aprende  a doar sangue e órgãos e que essa doação é um ato humano e solidário; que cuidar dos idosos é uma obrigação, mas também respeito e  amor;  que cuidar da própria saúde é o passo essencial  para prevenir doenças, muitas vezes devastadoras.
A gente aprende a namorar; a noivar; a casar; a se separar... A gente aprende a se separar, mesmo sentindo dor, ódio, saudade, repulsa e, às vezes, até amor...
A gente aprende a fazer amigos e a perdê-los também.
A gente aprende a dizer sim e a dizer não
A gente aprende o mal e o bem.
A gente aprende que um dia será muito diferente para cada um de nós. E é , portanto, que, nesse dia, a gente, tristemente, des-aprende!

Bernardete Ribeiro – 26/04/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário